segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Descrições das cidades no entorno de Paripiranga datada de 1757

No mesmo inventãro de documentos relativos ao Brasil existentes no arquivo de Marinha e Ultramar de Liboa, encontramos descrições das freguesias da região que indicam alguns aspectos de aglutinação das pessoas em algumas frequesias e em outras não. Por exemplo, a descrição feita pelo Vigario da frequesia de Nossa Senhora da Piedade da Villa de Lagarto, João da Cruz Canedo, deixa claro Simão Dias e Coité na época não existiam ou lhes falatava qualquer expressividade. Ele escreveu em sua descrição na página 222 "Tem esta villa 59 fogos (habitações, e toda a frequesia 390, e ha 3500 pessoas de comunhão em toda ela. Não tem lugares, nem povoações de que se possa fazer menção, ..." O Vigário José de Goes Araujo e Vasconcellos de Itapicuru descreveu: "Ha nessa frquesia hua unica Capella da Mãe de Deus, com o título da Senhora Rainha dos Anjos... na qual ha capelão, a quem pagão os moradores circumvizinhos, por ser a capella pobre de patrimonio" e "No mesmo sitio da Matriz se fundou a Villa chamada Nossa Senhora de Nazareth do Itapicuru da comarca da Bahia, a qual he tão pobre que athé de casas está destituida, pois apenas tem 14 ou 15 cazas, todas terreas, de taipa, pequenas, e caindo nas quaes residem o parocho, seus coadjutores, tabeliães e algumas pessoas mais..." Sobre Jeremoabo, tem-se a mais interessante das descrições, pois o Padre Januário José de Sousa Pereira, detalha a falta de civilidade da região e a grande quantidade de povoações indigênas catequisadas, destacando as de Massará e Sacco do Morcego. Ele também menciona na página 228 que não haver outras povoações, "salvo se por povoação se entender cada um sitio, ou fazenda... As fazendas, ou sítios são 152 promiscuamente situados e nas mais dellas se acha mais o Curraleiro com, hum, dois, e mais escravos dos donos da fazenda para benefício dos gados, e em muito poucas se chegão a contar vinte pessoas" Descreve também os limites de Jeremoabo sendo: "pelo nascente confina esta frequezia com a Villa de Lagarto, e com a de Itabaina... também pela parte do nascente confina... com a frequezia de Nossa Senhora da Nazareth da Villa do Itapicuru de Cima..." Porém a declaração mais interessante, que na minha opinião indica que de fato os habitantes de Paripiranga na época se socializavam mais com Lagarto e Itapicuru, não somente pela proximidade geogrãfica, mais também pela reputação quastionãvel da região de Jeremoabo da época. Descreve o padre: "Em todo o estado do Brazil não há freguezia de Peior nome, que esta de Jerimoabo, de tal sorte, que seu nome he ouvido com temor em todas as partes. Os naturaes e moradores saindo para fora negão a patria, e frequezia, os bons de envergonhados, e maos por temor de seus malefício. Os passageiros que se veem obrigados a passar por ella por seus comboyos, gados, e cavallarias, que de outros sertôes descem, principalmente de Jaguaribe certão de Pernambuco, e do Piagu, o fazem com tal receyio, compo se houvessem de atravessar por terra de inimigos, ou de gentio bravo e mui poucos são os que não experimentão prejuiso em seus gados, e cavalgaduras, principalmente se pernoitão na povoação de Jeremoabo, aonde vivem os mais insolentes, e assim muito do serviço de Deus, do da sua Magestade, e bem commum será, se se der o provimento necessario a tantos absurdos, desterrados e malfeitores para outras partes, onde se ocupem no Real serviço de Sua Magestade."

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